segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cidade Grande



Na cidade grande me faço metrópole...
Onde pessoas entram e saem,
Buscam e tiram algo...
Como se a ela não devessem nada.

Filhos dessa terra,
Filhos de todos os lugares,
Mãe e madrasta de todas as almas...

No auge da minha pretensão...
Finjo ser forte... Massa cinza que reveste a paisagem.

Dia e euforia.
Noite e insônia.
Abrigo dos desejos não confessos...
Da solidão no sexto andar,
Do descompromisso sobre as calçadas,
Da pressa de chegar.

Brinco com fogo e me queimo.
Brinco com faca e sinto o corte.

Por algum tempo, cidadã do mundo, tudo posso;
Até que ela me devolva ao meu lugar,
Ao meu tamanho...
Meu rumo incerto.

Alice perderia a cabeça se não a acordassem...

E aí... Bom dia...
Nem todo dia é domingo.
Nem toda avenida é paulista.
Restam poucos dias para ser feliz.

As pessoas são mais tristes nas grandes cidades...
Congestionamento descongestiona pensamentos...
E de repente, em meio ao caos, a verdade!

O mundo é pequeno, a cidade grande não!
O mundo vai acabar... Não antes de você:
Perdida, aflita, nessa cidade que engana sem mentir.

Arranca meu coração e concreta em seu chão de concreto...
Seus muros de concreto... Seus prédios de concreto...
Tudo isso é tão abstrato.

Quem cura a solidão sozinha...
No frio, na garoa, nas distâncias da cidade grande?


Quando vôo, vejo que ela cabe na palma da minha mão...

Eu a esmagaria.

A cidade aqui... Sobre as linhas que marcam o meu destino...
Que tamanho teriam as pessoas?
Quem estaria sobre esses risquinhos mal feitos de breves encontros?
O que importa?
Eu esmagaria.

O ar carregado de tudo que é impuro faz bem a memória:
Vejo-me nua.
Vejo-me crua.
Eu amei a mim mesma quando estava sobre ti:
Pele áspera.
Carinho seco.
Breve sonho.
Hormônio...

Cidade Grande...

Ou 'a
lguma coisa na maneira como você se move'.


Escrito hoje... No trânsito... Da cidade grande.
Se eu morasse em São Paulo, este blog teria publicações diárias...rsrsrs...





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