quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quem Canta seus Males Espanta


Esta semana, ontem precisamente, começou o CBTD – Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento.

Serão quatro dias...

Como ficar quatro dias afastada da empresa, com a casa caindo, trabalho a beça... E sem nenhuma previsão de melhora?



Enfim... A resposta está na pergunta!

Preciso de força, energia, fé, inspiração...

Me sinto assim hoje... Após o final do segundo dia...

Ontem, a abertura foi com Rubem Alves, educador premiado...
Ele tem uma frase conhecida que diz que “Tudo é Material Didático”...
Verdade, verdade, verdade...
A palestra foi linda, inspiradora.


Mas vamos falar de hoje:

Participei de uma palestra que falava sobre a utilização de músicas em Desenvolvimento de Pessoas... A minha cara!

Descobri que a música é tão poderosa porque trabalha os dois lados do cérebro: O direito pelo ritmo e o esquerdo pela linguagem.

Eu já amava a música e fazia referência (e reverência) a ela em quase todos os meus textos, simplesmente porque mesmo ignorando as informações científicas, a música sempre me presenteia com sensações infinitas...

É claro, como boa Daniela que sou, devaneio...

Quem canta seus males espanta... Mas atrai um bocado de outras coisas:

Minha voz interna fala mais que a minha externa (é possível????) e elas ficaram hoje... O dia todo... Tagarelando:

‘Escreve aí, escreve aí’

Bom... Então... Em ordem de ‘aparição’...


Pensamentos de uma manhã de congresso :

(1)
Cantei a música Construção do Chico Buarque.
Que música é essa??????
Sem comentários!
Brasileiro bom... ‘Construção’ excepcional.

(2)
Como alguém que canta pode ser dissimulado e traiçoeiro?
Música é algo tão divino...
Músico também deveria ser...
Penso que talvez, por sermos um pouco de tudo, cantar é o jeito dele de ser bom...
E no resto das coisas, ele é o que conseguem ser.

(3)
A música Guita me lembra um mocinho que amei...
Ele não me amou, mas não mentiu para mim.
Deixou-me amá-lo enquanto eu agüentei.
E me deixou ir quando eu pedi para ir (sem de fato eu querer)...
Talvez por isso eu me lembre dele com carinho...
Ou... Porque ele foi o primeiro homem a tocar meu seio.

(4)
Cantamos também Sampa, a música do Caetano...
Eu escrevi sobre Sampa também... No post ‘Cidade Grande’...
Variações sobre o mesmo tema...
Mas quem sou eu?

(5)
Eu não conhecia a música Cabelo, da Gal Costa:
“Cabelo vem lá de dentro”
“Cabelo é como pensamento”
Gostei... Claro que gostei...

(6)
Outra que não conhecia é a Valsinha, de Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Gostei... Gostei... Gostei...
Alegria triste.

(7)
Claro que tocou Epitáfio, do Titãs.
Não tenho muita simpatia por essa música...
Esse ‘devia ter’... ‘devia ter’ me incomoda.
Além disso, gostava do Titãs berrando...


Enfim, eu, Dani, Desenvolvimento de Pessoas (rsrsrsrs), gosto dessa parte:
“Queria ter aceitado as pessoas como eles são.
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”


(8)
Pegando o gancho do item acima, questiono um pouco (muito) esse lance de ‘desenvolver competências’ que ‘faltam’ nas pessoas... Por que não ‘desenvolver as potencialidades’???????
Deixo a discussão para outra hora.

(9)
As pessoas ficam discutindo o lado bom e o ruim da tecnologia... Da Internet... As distâncias e a desumanização...
Não adianta... A natureza humana fala mais alto...
A virtualidade deixa de existir quando eu uso o e-mail para dizer a alguém que tenho urgência em sentir seu corpo...
É físico!

(10)
Foram cantadas 19 músicas durante o treinamento.
Em um determinado exercício, tínhamos que formar dupla e treinar ‘entrega’, ‘desprendimento’...
Um exercício lindo: Escolher uma música e presentear o outro com ela, cantando e olhando em seus olhos...
Dá uma sensação de pânico na hora... É íntimo demais ... E é lindo...
É enorme o sentimento que rola numa situação como essa.

Você já cantou olhando nos olhos de alguém? Foi minha primeira vez!
Como pode, uma experiência como essa ser realizada com uma desconhecida e nunca antes com alguém próximo?

Afetividade: Eu amei aquela desconhecida enquanto cantava.



Dez... Dez interrupções de meus pensamentos em um workshop de três horas...

A música é mesmo poderosa ou... E eu sou extremamente dispersa.

Pra finalizar... Esta que não tocou no evento... Mas tocou diversas vezes em mim... Depois de tanta, tanta... Música.


Sangrando - (Gonzaguinha)

Quando eu soltar a minha voz por favor entenda
Que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca peito aberto, vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta, essa força tanta
Tudo que você ouvir esteja certa que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos e o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado transbordando toda raça e emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante
Cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar



* A palestra inspiradora é de Sumara Regina Ancona Lopes – Criatividade e Música: Quem Canta seus Males Espanta


** A ilustração deste post é de Toby Mikle.


1 comentários:

Fernanda disse...

Dani, Bom dia!!!

Santa inspiração hein??!! Eu simplesmente ameeeeei esse texto... a parte dos pensamentos, as músicas, está o máximo... vc arrasou!!!
Parabéns.

Beijos
Fê e bay