sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Um pouco de todas... E muito de mim.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Você tem nova mensagem




ABR19 11:07AM
“Oi, sou eu, Carol. Estou ligando para te dizer que foi ‘tudo de bom’ e, como combinamos, para deixar meu novo número. Então é isso... Anota aí: 82222222. Beijo.”

ABR20 01:11PM
“Oi... É a Carol... Te passei meu celular novo mas esqueci de dizer o mais importante que é... Que eu espero que você me ligue...Beijo.”

ABR21 03:26PM
“Oi, Vi, É a Carol... Você me deixou mal acostumada... E agora fico sentindo falta de você, das suas ligações diárias que me conquistaram pouco a pouco... Queria te ver... Ou te ouvir, sei lá! Beijo”

ABR22 02h32PM
“Ví! Já são quatro dias desde que nos vimos, nos falamos... Mudou alguma coisa? Você sabia que não há nada que enlouqueça mais uma mulher que ‘de repente o silêncio’. Fala alguma coisa... Um oi... Um tchau...”

ABR22 05h00PM
“Queria te ver hoje... Por que você não?”

ABR24 08h28AM
“Vítor, não espero que você me responda, mas preciso tanto te falar... Como pôde me encher de vida para ceifá-la deliberadamente, silenciosamente, inconsequentemente, dolorosamente, enlouquecedoramente, permanentemente... Sei que pareço louca, sei que não me prometeu nada e eu não quero mesmo nada, nada além do que eu tinha: Você existindo de alguma maneira na minha vida. Como você pôde simplesmente silenciar, desligar, sumir... Não esperava me casar contigo. Sexo não é mais promessa de casamento, de continuidade... E fala sério... Quando foi? Pobres donzelas do século dezoito... Mas não é o meu caso, poxa! Eu só não consigo entender direito o que foi que eu não entendi... Sei lá, chego a pensar que você só queria ‘me comer’... pronto, está dito! Mesmo assim, continua tudo sem sentido... Uma vez é o suficiente para você? Eu te daria tantas outras vezes de tantas outras maneiras... Não te mostrei tudo o que sei, que posso fazer... Tudo que tinha reservado para você... Não tive tempo de fazer você gostar de mim. Meu corpo não te agradou? Meu cheiro? O que foi? ... Me sinto rejeitada, envergonhada, humilhada... como se você tivesse me provado e desaprovado... Eu só queria que você soubesse que mesmo assim valeu... Embora eu ainda tenha fome de ti... Ainda sinta teu gosto na minha boca... Essa urticária na alma é o que fica... acho que é Saudades de tudo que não foi... ... ... Hoje tem estréia de um filme no cinema... Um musical... Não sei se homem gosta dessas coisas... Eu vou. Se quiser ir comigo, me liga. A sessão é às vinte”.

ABR24 11h31PM

“Que dia filho da p*. Que vida filha da p*. Cheia de filhos da p*. O acaso é mesmo um maldito filho da p*. Estou jogando fora seu telefone. Só assim esse impulso de mostrar-me aos pedaços pode ser contido... Você não me entendeu. Você não sabe nada sobre mim. Não quis saber... Então não vou mais dizer... Mas para isso, preciso ‘me amordaçar’ e ‘me algemar’... Ou ‘cegar você’, ‘ensurdecer você’ para que você não ‘me saiba’ assim: Desconstruída... Nada daquela que você adorou até ter nas mãos... No meio de tanta coisa difícil, é mais fácil eu apagar de vez esse número da minha agenda. ‘Fica em paz’. ‘Descansa em paz’. ‘Morre para que eu possa viver’... Vítima da fatalidade e não do desprezo... ‘Morre para eu viver’! Até um dia... E... Você tem meu telefone... ‘Me ligue’ se eu estiver enganada.”



*Inspirado em um outro texto, escrito por minha irmã... Gisele Petty.

* p*: Preciso mesmo dizer? rsrsrsrs...

*Tem uns errinhos gramaticais, acho que coloquei todos entre aspas... (considerei que ninguém fala corretamente... Muito menos se estiver descontrolada).

* Beijos para todas as pessoas... E torçam por mim... Tenho planos lindos para esse Blog... E os primeiros passos já foram dados... ‘Mentalizem’ grande... ‘Mentalizem’ festa e comemoração... Aonde o Blog chegar... Vocês chegarão comigo!!!!!!!!! Beijos infinitos!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tolerância


O que é tolerância?

Onde está a tolerância?

Para mim a tolerância sempre foi o ‘indiscutível’, algo essencial, crítico, delicado... Aquilo que deve existir mesmo onde não há amor, onde não há respeito... Sobre pena de calamidade.

Se houvesse um botão em um painel sagrado que acionasse o fim do mundo, a tolerância seria o último vidro de proteção... A última barreira, tipo:
‘Para o fim do mundo, quebre aqui!’.

A tolerância é mesmo o último recurso de coexistência...
Se não há amor, ainda pode haver paz;
Se não há perdão, ainda pode haver paz;
Se não há entendimento, ainda pode haver paz;
Se não há respeito, ainda pode haver paz;
Se não há tolerância, a paz não é possível.

A intolerância é o penúltimo passo em direção ao abismo... O último é a guerra.

Posso não amar, não entender, não respeitar e continuar concebendo a existência da razão do meu desagrado... Mas não tolerar é cobrir-me de todos os sentimentos negativos a fim de desejar e trabalhar pela inexistência de algo ou alguém.

Sempre temi a intolerância, sempre temi um só traço dela em meu caráter... Mantenho sempre uma sentinela sobre meus pensamentos, para que nenhum ato meu fosse fruto dessa... Coisa.

É... Coisa. Porque não é sentimento isso... Intolerância é o nada sobre todas as outras coisas... O extermínio.

Sentimento é tudo que deriva do amor: O ódio é o amor do avesso e ainda assim amor. O ciúme é o amor inseguro, a tristeza é o amor doente, a solidão é o amor sem dono, a cobiça é o amor por aquilo que não se tem, a inveja é o amor por aquilo que não se é... A alegria é o amor em graça... A felicidade é o amor em sua plenitude.

A intolerância não é nada. Não pode ser.

E assim, nessa linha de pensamento, nesse raciocínio que imponho a mim mesma como uma forma de contribuir para a ‘não-morte’ de tudo e de todos, conduzo meus passos, minhas reações, minhas terminações nervosas...

Mas há dias - na verdade, estes dias, como nenhum outro antes - que sinto próximo o fim do mundo dentro de mim...

Estou cansada... Tolerar demanda muito. Sabe aqueles selos de indicador de economia no consumo de energia? – Mantê-la em mim passou de A para C.

Não. Nem penso na possibilidade de não sê-lo... Sou mãe e quero um mundo para o meu filho... Quero laços... Ensiná-lo a ser o melhor que puder...

Tolerância não é uma opção, é condição de vida; como o ar, a água e o sol...
Mas cansa...
Espero que tudo isso seja só cansaço.

Às vezes, experimento, incrédula, um desejo de não tolerar.
De desnudar e mostrar, sem relevar ou ponderar, o tamanho das marcas que tenho...
Dar nomes a todas elas...
Romper... Secar...
Simplesmente não elaborar.
Deixar os traumas tomarem conta...
Ser não só reativa, mas radioativa...
Um ‘Heathcliff’ desgovernado... Devastando tudo, numa devolutiva de dor potencializada às últimas conseqüências...

Sem nenhuma nobreza.
Sem nenhum filtro.
Sem nenhum contrapeso.

Simplesmente devolver as pedras em mim atiradas, do jeito que elas são... Com a mesma força que vieram... Sem nenhum polimento...
Chega de lapidá-las, de transformá-las em brilhantes...
Chega de transformar areia em pérola... Limão em limonada...
Pro inferno tudo isso...
Pro inferno eu e todos que virão comigo...

...

Dito isso...

Qual o tamanho do meu ganho?
Qual o tamanho da minha perda?

É ambíguo demais dizer que não tolero a intolerância?
Ou é simplesmente um sinal... O começo do fim?


* O Heathcliff é ele mesmo... De novo o personagem doente de Emily Brontë... Para saber mais sobre ele, veja a publicação de 30.05.2008.

* tolerância 1: do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.
Do ponto de vista da sociedade, a tolerância define a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar, noutra pessoa ou grupo social, uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária face a valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original.
(fonte: wikipedia).

* tolerância 2: do Lat. Tolerantia, s. f., qualidade de tolerante; acto ou efeito de tolerar; atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adoptada por si mesmo; acto de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo; permissão; paciência; condescendência; indulgência; (Med.) aptidão do organismo para suportar sem rejeições os efeitos de um medicamento ou de qualquer outro agente externo. (fonte: Dicionário Aurélio).

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Luz dos Olhos


O restaurante era em frente a uma das praias mais bonitas do local.

Havia sonhado com esse encontro diversas vezes, mas por razões diversas em momentos diversos, ele nunca acontecera.

Hoje, parecia ser enfim o grande dia.
Sentia que algo muito bom estava para acontecer...
Algo que mudaria sua vida para melhor!

Deixara a capital rumo ao litoral, já na quinta-feira, aproveitando o feriado prolongado.

Hospedara-se em uma pousada bem simpática, pé na areia, e tratou de relaxar, repensar sua vida com os pés na água salgada.

Depois de seis anos de idas e vindas e mais um inteiro de total ausência, estariam juntos finalmente, com a proposta de conversar, chegarem a uma definição... Um relacionamento de verdade, já que eram perfeitos juntos.

Conheceram-se no curso de MBA em Marketing e tornaram-se amigos.
Ele era noivo, ela namorava, mas tinham tanta coisa em comum, que pareciam predestinados...

Em casos como esses, de pessoas certas na hora errada, o tempo se encarrega de mostrar o caminho... Mas sete anos? Isabela não podia mais esperar.

Durante todo esse tempo, tentaram dar as mais diversas conotações para o que havia entre eles: Tantas vezes ‘sim’ e tantas vezes ‘não’, que o ‘talvez’ instalou-se sobre os dois.

Seguiram vidas paralelas... Na mesma direção, mas experimentando uma ausência que traria enfim, as respostas que precisavam.

Era noite de sábado, afinal.

Isabela parou seu carro no estacionamento de areia em frente o local marcado.
Olhou-se no espelho do retrovisor.
Retocou o lápis dos olhos.

Sentia um misto de esperança e ansiedade contidas pela ‘voz da experiência’.

Já na mesa, pediu uma caipirinha de Saquê com Kiwi e prometeu a si mesma que seria a única que beberia.

Alguns minutos depois ele chegou.

Fitaram-se imóveis por alguns instantes.

Ele caminhou até ela e beijou-lhe a testa.

Sentou-se e perguntou o que ela bebia.

Diante da resposta habitual, do drink habitual e do sorriso habitual, Ivan relaxou:
'Tudo estava em seu devido lugar’.

- Senti saudades.

- Sentiu? – A mulher segurou o impulso de dizer ‘eu também’.

- Você sabe que sim.

-
Sei? – Ainda na defensiva.

- Adoro você, sempre adorei.

O silêncio permaneceu.

Ele pediu uma cerveja e o menu.


- Então... Como estão as coisas... Sem... Mim? – Perguntou um pouco sem graça, por não encontrar as palavras certas.

- Como sempre estiveram, Ivan, já que nunca houve ‘as coisas com você’ – Falou, mantendo a voz mansa, sem alterá-la em nenhum momento.

- Isa, não seja injusta, sei que o tempo que passamos juntos foi maravilhoso para nós dois e sei também que o tempo que demos foi bom para descobrirmos o que somos um para o outro...

- E?


- Você é muito importante para mim.

O garçom se aproximou.
Fizeram o pedido, sem rodeios, já que conheciam o gosto e o sabor um do outro.

Enquanto esperavam a chegada dos pratos, beliscavam as azeitonas do ‘couvert’.
Havia MPB ao vivo – voz e violão.
Conversavam amenidades quando Isabela percebeu que as cordas do violão introduziam uma canção que ela gostava tanto... Já havia comentado tantas vezes com Ivan que era sua preferida... “Luz dos Olhos”.

Pensou em fazer um comentário.
Na verdade, esperou por um comentário.
Viu que ele havia levantado a sobrancelha para dizer algo e sorriu na expectativa de ouvir o que diria...

O garçom chegou com o pedido.

- Nosso pedido. Rápido, não? É difícil ter restaurantes com um serviço tão bom no litoral.


Jantaram.
Falaram de tudo um pouco: Trabalho, amigos em comum...
Relembraram algumas viagens que fizeram juntos... Enquanto riam, Ivan tocou o rosto de Isabela e perguntou:

- Como foi que ficamos tanto tempo separados?

Ela segurou a respiração e sorriu. Retribuindo o carinho, tocou-lhe o rosto dizendo:

- Não sei Ivan, não sei... Nós somos tão bons juntos – baixou de vez suas defesas.

Beijaram-se.

Um misto de felicidade e ressentimento explodiu em um beijo lento e forte.

- Vamos tentar de novo – disse Ivan – Não me deixe fora da sua vida.

- Você sempre estará nela, Ivan, sempre.

Entre beijos o casal trocava juras.

- Desta vez, não cometeremos os mesmos erros... Daremos mais espaço um para o outro... Sei que você se arrepende dos erros que cometeu...

Isabela parou o beijo, selou os lábios e o afastou...
Olhou em seus olhos e disse:

- Ivan... Eu sou humana e cometo erros, nós...

Ivan interrompeu em euforia:

- Sim, comete... Se você não tivesse aberto a minha correspondência e visto tanta coisa que não faz parte de nós, estaríamos bem até hoje... Nunca te contei, porque aquilo não fazia parte de nós dois... Você não tinha que saber de nada disso... Estaríamos bem... Como sempre estivemos...

E já não ouvindo mais nada, Isabela lembrou-se da relação de restaurantes e motéis listados na fatura do Mastercard de Ivan, datados de dias que ele precisava ‘pensar,’ ‘ficar só’, de ‘espaço’...

'Ficar como sempre estivemos? Espaço? É essa a proposta após anos de espera e silêncio? Ele só pode estar louco' – Seus próprios pensamentos era tudo o que ela podia escutar.

- Ivan, vai embora. – Solicitou em voz firme, mas baixa.

- Isa?

- Vai embora, Ivan
– Manteve o tom.

- Mas uma vez, Isa, você está sendo imatura e colocando essa coisa boa que a gente tem em risco.


'‘Coisa boa’? Ele não tem nem um nome para definir o temos... Cretino, arrogante, egoísta...' – Seus pensamentos iam e vinham em uma velocidade incontrolável.

- Vai embora.

- Vou. Vou te deixar pensar. Você está muito exaltada agora... Não está pensando direito e quando colocar sua cabeça em ordem, verá que tenho razão...

'Exaltada? Ele não imagina como eu luto para não demonstrar o tamanho de minha exaltação...'

- Vai embora – No mesmo tom frio, mas aumentando o volume de voz, o suficiente para embaraçá-lo e fazê-lo temer um pedido ainda mais alto.

Ivan inclinou-se para beijá-la. Isabela recuou.

Ficou sentada por horas no restaurante, com seu copo cheio que nem chegou a tocar e a comida que não chegou a comer.

Seu olhar estava perdido no vazio e no silêncio profundo, quando o garçom a interrompe:

- Senhora, estamos encerrando por hoje... A senhora gostaria de mais alguma coisa ou podemos encerrar sua conta?

Isabela olhou ao redor, percebeu que os funcionários do local a fitavam, não havia mais ninguém no restaurante, apenas um casal na porta se despedia do chef de cozinha, elogiando o delicioso jantar e, próximo ao palco improvisado, o músico guardava seu violão e bebia um copo d’água, enturmando-se com os garçons.

Envergonhou-se e disse:

- A conta, por favor.

- Nosso maitre pediu para dizer que é por conta da casa, na expectativa que a senhora volte e desfrute de sua culinária quando sentir-se melhor.

Isabela insistiu algumas vezes, mas acabou cedendo.

Entrou em seu carro e antes de dar a partida, abriu espaço para um pranto doído, silencioso...
Não fossem as lágrimas, a veriam inerte, como se nada sentisse, como se não respirasse.

A mulher não pensava em nada, mas assustou-se quando bateram no vidro de seu carro.

Percebendo o susto, o rapaz tratou logo de explicar-se:

- Me desculpe se te assustei. Acredito que isso seja seu. Você esqueceu sobre a mesa.

Ainda zonza, Isabela que ainda não articulava bem as palavras, não tentou secar o rosto... Não se preocupou em parecer melhor do que se sentia:

- Desculpe-me, o que disse?

- Bem, meu nome é Saulo... Eu toco no restaurante sempre que estou por aqui... Acho que isso é seu... Do hotel onde deve estar hospedada...

Ela olhou para o chaveiro, uma concha de resina azul, com o número 28 gravado em dourado.

- Toca? No restaurante? Desculpe-me... É sim minha chave... Obrigada.

- Por nada. Você está se sentindo bem? Posso ajudar em alguma coisa?

- Estou... Estou bem, eu acho.

Ele sorriu ainda abaixado junto à janela do carro, afastou-se aos poucos e acenou dando as costas.

Isabela o viu afastar-se, com o violão nas costas, calça jeans, sandália de couro, camiseta de malha preta, cabelos compridos o suficiente para que o vento do litoral soprasse através dele...
Ele seguia em direção a uma moto estacionada bem próximo à entrada do ‘Restaurante Kuará’.

Ela colocou a cabeça para fora da janela e gritou:

- Ei... Você disse que toca sempre aqui?

Ele voltou e abaixou-se próximo a janela:

- Sim... Sempre que estou por perto... Feriados prolongados, alta temporada... O pessoal costuma gostar... Cheguei a pensar que você tinha ficado até o final por que estava gostando do som... Para que pelo menos a música valesse a noite – Riu tímido, pela indiscrição que cometera.

- Desculpe-me... A noite não foi mesmo boa.

-São exatamente duas e sete.
– Disse o músico, olhando seu relógio. – Você ainda pode ter uma boa noite...

- Não sei... Quem sabe uma boa noite de sono.


- Quem sabe.

Isabela procurou encerrar logo a conversa para que não caíssem naquele incômodo silêncio:

- Você tocou minha música preferida hoje, eu acho... Chamei você porque queria que você soubesse que seu trabalho faz diferença...

- Quando tudo parece ruim, ainda resta a música.

Isabela sorriu.

Palavras certas, na hora certa, o sorriso certo... E indiscutivelmente, o perfume certo...

Isabela vê o músico se afastando mais uma vez.

Uma bela imagem... Uma bela paisagem...

Ligou o carro, voltou para o hotel.

Entrou em seu chalé, preparou-se para o banho, ligou o chuveiro.
Escutou um barulho na varanda... Uma movimentação estranha.
Enrolou-se rápido na toalha e foi espiar através das treliças da porta de madeira em frente à sacada.

Viu um homem no jardim...
Ele parecia contar as janelas...
Ficou olhando para ver o que ele faria...
Preparando-se para ligar na recepção da pousada e pedir socorro se fosse necessário.
Percebeu que ele tinha algo nas costas, o que logo identificou ser um violão...
Era Saulo!

Ainda com as treliças fechadas e com voz sussurrada, perguntou:

- Saulo? É você?

- Opa! Você lembra meu nome!


- O que você está fazendo aqui?


- Tenho três perguntas que preciso fazer... Não gosto de deixar nada sem dizer... Não pude ir embora sem passar aqui...


- Estou entrando no banho agora... Eu só quero que essa noite acabe. Pode ir embora... Não se preocupe comigo... Sei que pareço perturbada, mas não tenho tendências suicidas.


Saulo sorriu, jogando a cabeça para traz.

- Imagino que não. Posso esperar na varanda?

Isabela não respondeu. Ao invés disso, abriu a porta e foi até a varanda.

- Costumo demorar no banho, não quero te deixar esperando... O que você quer?

- Seu nome... Você não me disse...

- Isabela
– Disse sorrindo.

- Isa-bela... Faz sentido. – Ele sorriu de volta e continuou - Isabela, você disse que toquei sua música preferida... Posso saber qual é?

- Luz dos Olhos, do Nando Reis.

- Faz ainda mais sentido, Bela... Posso te chamar assim?

- Pode...

Ficaram em silêncio se olhando... Ela na varanda, ele no jardim.

- Ah! Terceira pergunta... Quase esqueci... Posso te ajudar em alguma coisa?

- Você já me fez essa pergunta hoje...

- E você não respondeu.

Isabela sorriu um sorriso largo, relaxou os ombros:

- Não jantei... Estou com fome...

- Tenho uma maçã, ela está na minha bolsa desde manhã e uma garrafa de vinho que peguei no restaurante quando decidi que vinha para cá... Está gelado... O que você acha? – Perguntou o músico mostrando a garrafa.

- Sobe... Vou abrir a porta.

- Não precisa, se você disser que sim, eu pulo pela varanda mesmo.

- Sim.

- Então diga...

- O que?
– Disse a mulher, confusa.

- ‘Diga que você me quer’.

Isabela completou a estrofe de sua música preferida:

- ‘Que eu te quero também’.

Saulo pulou para dentro da sacada, abraçando Isabela pela cintura.
Beijou seu pescoço, seu colo, sua boca.
Deitou-a sobre a cama, em frente à sacada e desatou o nó da toalha.
Contemplou por alguns instantes o corpo da mulher e mergulhou nele... Um mergulho lento, profundo e voraz.

Sentiu seu gosto e assistiu seu êxtase... Como quem assiste o mais belo nascer do sol do litoral.

Despiu-se com a ajuda de Bela...
Encostou-a na parede, segurou seus seios, mordeu suas costas...
Puxou-a contra si e ali, daquele jeito, compartilharam um prazer intenso e sem culpas.

Não tocaram na maçã, mas beberam todo o vinho.

Não falaram nada sobre o que havia acontecido no restaurante: Ele não queria saber. Ela não queria falar.
Conversaram um pouco sobre o que faziam, do que gostavam...

- Canta para mim... A música – Pediu Isabela com um entusiasmo quase infantil... À vontade em ser ela mesma.

- Agora?

- Agora...


- Tudo bem... Mas não vou conseguir terminar.


- Por que?


- Acredita em mim...


Saulo levantou-se, pegou o violão e o batom de Bela, que avistou sobre o criado mudo.

Cantou para ela sentado sobre os travesseiros no chão.

Ela o assistia em encantamento... Sentada na cama, com o lençol puxado para si, num gesto de infundada timidez.

A voz melódica de Saulo preenchia o ambiente:

“Pinta os lábios para escrever a sua boca em mim”.

Nesse momento, ele largou o violão, ajoelhou-se aos pés da cama e pintou com batom a boca de Isabela:

- Escreve em mim.

- Onde?
– Bela perguntou.

- Vem sem medo... Onde você quiser...

E conforme as previsões de Saulo, ele não terminou a canção.

Assistiram o sol nascer da sacada do chalé, tomaram café juntos e dormiram, exaustos, na praia.

Almoçaram no mesmo restaurante do dia anterior: O chef merecia ser prestigiado afinal.

Despediram-se, trocaram telefones, e-mails, beijos e um longo abraço.

Ele ligou já no domingo à noite.
Queria saber se ela havia chegado bem.

Na quinta seguinte, ela foi vê-lo tocar em um Bar em Moema, com algumas amigas.

No sábado seguinte, ele saiu à uma hora da manhã do trabalho, um restaurante nas proximidades da Paulista e encontrou-se com ela em um barzinho próximo a Perdizes, onde ela mora.

Saulo chegou lá com o restante da banda.

Apresentou-a:

- Banda, esta é a Isabela... Minha Bela, se ela quiser e enquanto ela quiser...

Ela quis.
Quis ser Bela de Saulo.
Ela quis ser sua namorada.
Quis a intimidade repentina, a velocidade dos acontecimentos.
Ela quis o querer de Saulo...
A proximidade, o curto espaço que precisavam entre os dois para manter a saúde da relação que tinham...
Gostavam de estar perto...
Era natural ligar para apenas escutar a voz, rapidinho, entre uma reunião e outra...
Entre uma canção e outra...

Luz dos olhos de Saulo.
Luz nos olhos de Isabela.


Luz Dos Olhos

Ponho os meus olhos em você
Se você está
Dona dos meus olhos é você
Avião no ar
Um dia pra esses olhos sem te ver
É como chão no mar
Liga o rádio à pilha, a TV
Só pra você escutar
A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora...
Pois meus olhos vidram ao te ver
São dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros prá poder
Melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer
É só você se afastar
Pinta os lábios para escrever
A sua boca em mim...
Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a lua irradia a glória
E eu te chamo, eu te peço: Vem!
Diga que você me quer
Porque eu te quero também!
Passo as tardes pensando
Faço as pases tentando
Te telefonar...
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando
Sem você desembarcar
Pra eu te dar amor nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora...
E eu vou guiando
Eu te espero, vem...
Siga onde vão meus pés
Porque eu te sigo também.
E eu te amo!
E eu berro: Vem!
Grita que você me quer
Que eu vou gritar também!


* Luz dos Olhos é uma canção de Nando Reis. É linda... Uma preferência pessoal mesmo...
A Cassia Eller regravou a música... Adoro Cassia Eller, mas o Nando Reis canta essa música como eu gosto de escutá-la... SENSACIONAL.

Amor Perfeito


Minha prima, minha linda e saudosa prima costuma dizer:

“Eu estou aqui em casa e sinto que tem alguma coisa lá fora muito grande acontecendo da qual eu deveria fazer parte".

Eu ria...
Balançava a cabeça e ria...
Sem entender direito essa urgência que ela tinha de vida...

Hoje é tudo tão claro.

Tínhamos a mesma idade...

Ela era a ‘prima maluquinha e criançona’ e eu a prima ‘madura, cabeça’ (detestava esse lance de ‘cabeça’, mas era moda na nossa adolescência – Nessa época, me interessava muito mais ser ‘gata’... Mas enfim... ‘A gente se diverte com o que tem’.)...

O curioso é que, a cada ano, conforme eu envelheço, entendo melhor o que ela, em sua sábia inocência, queria dizer...

Há dias em que sinto exatamente a mesma coisa...

Estaria eu percorrendo o caminho inverso?
Perdendo o bom senso e ganhando pouco a pouco a inconseqüência de uma juventude tardia?

Que herança preciosa...
Que herança perigosa...

Esta noite, há alguma coisa lá fora, da qual eu deveria fazer parte...

Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu queria fazer parte...


Minha parcela no testamento, ela me deixou em vida:

As músicas que cantamos,
As Tequilas que tomamos,
O inesquecível porre de St. Remy,
Os gritos de guerra na saída da balsa,
As tardes de beleza e máscaras de iogurte,
As lágrimas que choramos,
As gargalhadas...
As ‘paradas erradas’...
Os aniversários em Boiçucanga...

Sua partida não foi planejada...
Seu corpo não agüentou a agitação de sua alma...

Ficou sua vida em mim...
Ela e eu nesse corpo de intensidade sem fim...

Esta noite, há alguma coisa lá fora da qual eu poderia fazer parte...

E pensar nisso é lembrar dos ‘rituais de preparação’...
Um arsenal de lápis, rímel, sombras e afins...
O importante era ter os olhos marcados, escuros, destacados...
A sombra preta era arma e escudo...
O gloss nos lábios um convite...

E eu, hoje...
Eu...
Ainda pinto os olhos e a boca, mas já não posso abraçá-la e dizer que tudo sempre acaba bem...

Assisto resignada a finitude das coisas, porque depois do fim, a vida continuou...

Uma certa confusão se estabeleceu...

Uma certa dor,
Um certo amor,
Uma certa obrigação de ser o mais feliz que eu puder ser, porque agora...
Exatamente agora...
Há alguma coisa lá fora da qual eu deveria fazer parte...

Fada sininho...
Eterna e bela...
Voou de volta para a Terra do Nunca...
E deixou meu coração coberto de ‘pó de pirlimpimpim’...

Definitivamente, neste momento...
Há alguma coisa lá fora da qual eu faço parte dentro de mim.


***
Obrigada, Ana Cecília...
*
“Eu não vou saber me acostumar,
Sem tuas mãos para me acalmar,
Sem teu olhar para me entender,
Sem teu carinho, amor, sem você”

*
Finalizo com eterna saudade...
E um sorriso...
No rosto e na alma.
***

Amor Perfeito

Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você...
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver
Então vem,
Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
*
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te amando,te querendo
Coração quer te encontrar
Então vem...
Que nos teus braços esse amor é uma canção
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
Eu não vou saber me acostumar
Sem suas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão,
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou


* Amor Perfeito, música primeiramente conhecida na voz de Roberto Carlos, foi regravada pelo Grupo Feitiço, de Santos, em ritmo de samba. (Atualmente, outros intérpretes gravaram a canção, inclusive a Cláudia Leite).
Dançávamos e cantávamos muito no Avelino’s e Lucky Scope (Casas noturnas no Guarujá-SP).
Hoje... Sempre que escuto, não danço como antes...
Choro de saudades, não de tristeza...
Sinto sua presença...
Sinto um abraço vaporoso...
Um ombro amigo...
Um beijo na face.

* Sobre a Fada Sininho e o Pó de Pirlimpimpim: A personagem na obra e no livro de James M. Barrie, é uma fada travessa, mas leal acompanhante de Peter Pan. Sininho possui um pó mágico – o Pó de Pirlimpimpim - que ela joga sobre as pessoas, para que elas possam voar. (Ah! - O pó só funciona se a pessoa tiver pensamentos felizes!). A versão mais famosa, de Walt Disney, foi filmada em 1953.


SIM, SIM, SIM!


Não tem coisa melhor que conversar.

Conversa pressupõe acontecimentos.

Acontecimentos me remetem a histórias, contos, cinema, novelas...

Acho uma delícia ‘acompanhar’ tudo isso na vida de alguém...

É sempre um privilégio que vem junto com a amizade e a confiança!

Acompanhei várias histórias ao longo de minha vida...

Não apenas novelinhas e seriados apetitosos, mas acontecimentos reais, de pessoas reais...

Às vezes ‘in loco’, às vezes por telefone’, ‘MSN’...

Um dia desses, uma pessoa querida estava em ‘conflito’:
Não sabia ao certo se deveria aceitar um convite, começar uma história...
Principalmente porque não sabia quantos capítulos estariam reservados, como eles seriam... Ou se teria um final feliz!

Sabe, novas histórias são sempre empolgantes para mim, uma entusiasta incorrigível, e quem me pede um conselho tipo ‘Should I stay or should I go?’ pode estar certa que vai ouvir: SIM, SIM, SIM.

Claro que sim!

Ninguém pode dizer quantos capítulos virão, porque eles ainda não estão escritos, então... ‘Why worry?’

Para mim, o grande lance, o clímax de uma história, encontra-se nas primeiras páginas.

Pergunto: Para que se preocupar se outras virão, se nenhuma outra será tão boa quanto a primeira, que já temos nas mãos?

'Carpe Diem'! Porque se não houver mais nada, você pode estar certa de que 'teve' a melhor parte.

Não há nada mais gostoso que a conquista... Descobrir afinidades, rir dos defeitos e até considerá-los um charme a mais – Acredite, isso só é possível nos primeiros encontros!

Nenhum outro momento tem a força dos primeiros momentos. Mágicos!

As primeiras palavras ficam guardadas... Somos capazes de repetir tudo que nos foi dito em um primeiro encontro, mas é preciso muito esforço para lembrar algo que nos foi dito ontem...

Lembramos a roupa, a música que tocava, o perfume, a maneira que ‘ele’ nos olhava...

Inesquecível é a reação de nosso corpo ao mínimo toque...
As mãos se esbarrando sobre a mesa do bar é praticamente uma preliminar do ato sexual... Que virá ou não, nesse primeiro encontro.

Sobre essa polêmica, prefiro racionalizar:
Você quer? - Go for it!
Não quer? - Hold on!
Quer, mas não quer? - Então, se prepare para jogar!

A palavra 'jogo' parece pejorativa nessas circunstâncias, mas é o que é... Jogo.

Isso me lembra um ditado de duas pensadoras... Ainda não famosas, mas que como ‘os grandes’, assinam em dupla... (rsrsrsrsrs)... Petty&Bellati:

“Ou você joga ou perde por W.O.

Isso mesmo... Ser 100% transparente, 100% sincero, 100% reativo é suicídio social... Não funciona.

Amor não é um jogo, mas a conquista é sim! E se você deixar a emoção ‘revelar’ as suas cartas, você pode colocar tudo a perder... (Ou não... Vai saber!)

Mas é o que parece... A paixão é álcool puro... É altamente inflamável... E a embriagues é certa...

A paixão é Absinto e a Fada Verde não poupa ninguém!

Experimente ‘jogar’ bêbada e se prepare para ficar sem as calças...Literalmente!

Então, anota aí... Ou você joga, ou perde por W.O.... Traduzindo: por não jogar!


Finalmente, o beijo... Eu deixei para falar do beijo depois de falar de sexo, invertendo a ordem natural das coisas, mas mantendo a ordem crescente, porque, definitivamente, não há nada melhor que o primeiro beijo no primeiro encontro... Que tem que rolar!!!!! - Isso é unânime... (Acredito! - OK! Trata-se de minha opinião pessoal).

Para mim, é o que há de mais forte em alucinógeno... Somos capazes de achar que estamos apaixonadas se o primeiro beijo for ‘daqueles’.

O que se entende por ‘daqueles’ é muito particular... É uma questão de encaixe, preferência...

Eu gosto de beijo longo e grande, com intervalos curtos de beijos pequenos...
Gosto de beijo de corpo inteiro... Com abraço, mãos nos cabelos... Pescoço...

SIM, SIM, SIM!

Um beijo bem dado é uma anestesia local com efeito de anestesia geral... Só que com ação inversa!
Se é que vocês me entendem...

Nossa... Voei agora... Mas volto ao planeta terra e digo mais uma vez:

SIM, SIM, SIM!

SIM para todos os começos!
SIM para todos os desejos!
SIM para os momentos felizes!

Precisamos entender DE VEZ que ‘não dar certo’ é diferente de ‘acabar’.

Uma linda história não precisa ser vivida em um livro de 500 páginas...

Às vezes, um conto dá conta:

É uma história deliciosa e curta, que nos satisfaz, nos deixa bem... Até o próximo conto!!!!

Então... SIM!!!


Como eu deixei bem clara a minha preferência pelo beijo, vou falar só mais um poquinho sobre ele... Encarem como um ‘Bonus Track’!!


O BEIJO

Propus-me a escrever poesia...

Mas como seria alinhar frases coordenadas em rima, sobre o melhor e mais intenso silêncio?

Porque o beijo nasce quando todas as palavras enfraquecem diante do incontrolável desejo de provar um pouco do outro.

E sem palavras, também não há como dissertar sobre o convite implícito de beber do outro... Aos poucos... Como se tomasse, em pequenos goles, o melhor vinho e o sentisse lentamente escorrer pela garganta, levando embora meus sentidos e embriagando-me com seu perfume.

Como definir a inexplicável e agradável vulnerabilidade que sinto quando meu rosto é acariciado, meu cabelo emaranhado... Ou quando sinto a respiração quente em meu pescoço...

Afinal, quais seriam as palavras que eu usaria se ousasse conceituar, racionalizar ou simplesmente declamar o modo como esse beijo me enche de vida e mata os vestígios de um jejum de todas as coisas, quando eu não podia buscar nessa boca o alimento para a minha fome, a água para minha sede e os sonhos para as minhas noites?

E se era para eu escrever um poema, falhei:
Por não existir palavra que defina o que sinto quando outros lábios pressionam os meus.

Mas a poesia existe e sempre existirá...

E quando meus lábios, diante de outros lábios, se abrirem...
E minha língua acariciar a outra na umidade quente de um beijo...

Então ela se fará...
E sem prosa ou verso, será declamada...
Entre o silêncio, o sussurro... E o gemido.



Pessoal...

Às vezes nenhuma palavra em português, expressa exatamente o que quero dizer... e há outras... 'importadas' que se encaixam perfeitamente....

Então... Lá vai o Glossário:

* “Should I stay or should I go” – É nome de música. Não conheço a autoria mas já foi gravada pelo Red Hot Chilli Peppers. A tradução é ‘Devo ficar ou devo partir?’;

* “Why worry” – Também é nome de música, do Dire Straits. A tradução é ‘Para que se preocupar?’;

* “Carpe Diem” – É uma frase em Latim, extraída de um poema de Horácio, que significa ‘Aproveite o dia’, 'Colha o dia' ou 'Aproveite o momento';

* “Go for it” – É uma expressão em inglês que significa ‘Vai em frente’;

* “Hold on” – É uma expressão em inglês que significa ‘Espere’, ‘Segure a onda’;

* "W.O." - Ganhar por W.O. significa que uma competição esportiva foi ganha devido à ausência do oponente. O famoso W.0. significa ‘walk over’. O verbo ‘walk over’ significa 'to win without difficulty against', ou seja, ganhar sem dificuldade. O substantivo ‘walkover’ (uma única palavra) significa 'an easy victory', que em português é vitória fácil. O W.O. acontece quando um time não comparece no local da partida. (Fonte: Wikipedia);

* “Bonus Track” - Faixas bônus ou bonus tracks (como são mundialmente conhecidas) são canções-extras ou especiais que podem ser colocadas em certas versões especiais de um álbum, alguma canção que não fazia parte dos planos originais do álbum (uma música ao vivo, por exemplo) ou até mesmo as famosas "faixas escondidas" (‘hidden tracks’) que são canções colocadas de um modo que o ouvinte não espere por ela em nenhum momento. Podem ser colocadas após várias faixas em branco (sem material sonoro) ou mesmo após vários minutos de vazio. (Fonte: Wikipedia);

* Sobre o Absinto e a Fada Verde: Absinto é uma bebida destilada feito de losna (Arthemisia Absinthium), Anis, Funcho
e por vezes outras ervas.
Segundo a lenda
, a bebida foi inventada pelo médico francês, Dr. Pierre Ordinaire, em 1792, como um remédio para todos os males.
O absinto foi especialmente popular na França, sobretudo pela ligação aos artistas parisienses, até sua proibição em 1915.
É também conhecido popularmente como fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno que fazia com que muitos usuários alegassem ver um ser "místico
".
Tem geralmente uma cor verde-
pálida e apresenta uma porcentagem de álcool muito elevada 45,0 % a 89,9 %). - Recentemente no Brasil, a bebida foi legalizada, porém teve de adaptar-se à lei do país: Seu teor alcoólico é de 53,5ºGL e não sua fórmula não contém losna (Arthemisia Absinthium) - (Fonte: Wikipedia).

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Viagem ao Centro da Terra e Outros Destinos

Hoje, com trinta e cinco anos, sabia que estava pronta para voltar.

Contava os dias para o seu desaniversário...
Em agosto faria 34.

Mas ansiava mesmo por seus trinta anos novamente, a partir desse marco, ela estaria pronta para olhar atentamente aos detalhes que deixara passar na primeira vez.

Com trintas anos, percebeu que sua vida não era bem como havia imaginado que seria, mas considerou que poderia lidar com isso, afinal... Não era um sonho... Era vida real!

Aos trinta e um, bradou aos quatro cantos seu direito de ser outra ou deixar de ser outra e finalmente ser ela... Mas as circunstâncias abafaram gradativamente seu grito até que ela não pudesse mais se escutar... E acostumando-se com isso, decidiu ser muda.

Aos trinta e dois anos, condicionada ao silêncio, qualquer ruído agredia seus ouvidos, como fisgadas insuportáveis de verdade, foi quando percebeu que seria muito confortável se além de muda, fosse surda.

Aos trinta e três, não falava nada que não pudesse ser dito, não escutava nada que parecesse ruim, mas seus olhos ainda enxergavam... E em seu reflexo no espelho encontrou traços de alguém que conhecera muito bem... E isso acelerava seu coração, causando inquietação, lágrima, questionamento... Pensou que 'nem tudo é o que parece ser' e, para proteger-se de seus olhos, fez-se cega.

Aos trinta e quatro, mesmo cega, surda e muda, notou o movimento de suas pernas. Ela podia andar e sabia que encontraria o caminho, porque não era preciso vê-lo, o conhecia pois o traçara tantas vezes em seus planos...
Guardava os esboços desse mapa no coração... E para conter o impulso de correr, quebrou suas pernas... As duas, de uma só vez.

Aos trinta e cinco, imóvel, não via nada, não dizia nada, não escutava nada...
Mas a lembrança e a aquela saudade de 'não sei o quê' ardia em sua pele e a não ser que ela a arrancasse com suas próprias unhas, ela sentiria sempre sua omissão diante da sua própria vida...

A pior traição é a de si mesma...
O pior abandono é o de si mesma...
A única ausência insuportável é a de si mesma.

Decidiu voltar...
35,
34,
33,
32,

31...
... Até recuperar seus sentidos... E sentir.

Deitou-se na cama, em posição fetal... Após registrar em um bilhete:


'Deixei para ser feliz em outra vida, fui atrás dela... Esta não me interessa mais'.

Ser feliz em outra vida...
Você sabe se isso existe... Outra vida?


Você vai arriscar?

E mesmo que sua fé lhe faça acreditar que há uma nova chance depois desta... Após desperdiçar toda uma existência, você se consideraria digna???
Você acha que a teria como um prêmio por seu sacrifío e abnegação?

A hora de ser feliz é agora...

A vida é o prêmio em si. Não há nenhum outro no final do caminho...

Só a morte... A sua e de todos os sonhos.


A hora de ser feliz é agora...

Talvez seja preciso remanejar algumas coisas, abrir mão de outras.

Inevitavelmente você vai magoar algumas pessoas, encarar algumas rupturas e sentir falta daquilo que parecia ser totalmente dispensável... Ou ainda, daquilo que era notoriamente ruim.

Tenha em mente que ninguém vai salvar você... Essa tarefa é sua!

Nada de extraordinário acontecerá para transformar a sua vida...

A transformação começa dentro de você... E vai até onde você for.

Até onde você vai?



sábado, 9 de agosto de 2008

Dia dos Pais



Amanhã é Dia dos Pais... E é claro que vou falar dos pais da minha vida...

E vou começar pelo meu!

Em primeiro lugar, ele me deu a vida...

Depois meu nome: Petty... Que amo e me orgulho... Adoro ser Daniela Petty.


Meu pai sempre me inspirou, ele tem uma inteligência incontestável, talentos incríveis, desenha bem, escreve bem...

Eu tinha um texto dele na minha carteira, que ele assinava com o nome de várias pessoas que ele admirava, e toda vez que eu o lia eu pensava: 'Sensacional... Essa pessoa genial é meu pai!'

Mais que inteligência e talento, ele tem uma visão de mundo inacreditável.

É um homem silencioso, profundo, de pensamentos conturbados e conflitantes, que poucas vezes são ditos... Mas quem o conhece, sabe bem que sua alma é inquieta e que ser o que é hoje é uma escolha a despeito de todos os anseios que gritaram e gritam em sua alma.

Meu pai me ensinou a amar Beatles, a questionar sempre (o que eu faço, mais do que ele gostaria), a fazer escolhas e arcar com as conseqüências (o que faço, talvez mais do que ele gostaria).

O amor que tenho por ele é tão incondicional que se conheço alguém parecido, em algum aspecto, simpatizo na hora... Gratuitamente...

John Lennon então! Como é difícil desassociar... Tenho 32 anos e ainda não consigo...

Não... Ele não é perfeito... Foge do padrão ‘pai do ano’... Talvez simplesmente porque seja muito mais que isso na minha vida!

É impressionante como tudo o que ele faz é decisivo e marcante para mim... Isso é realmente delicado e contrapõe a limitação de tempo... Porque ele não era um pai constantemente presente na minha infância, mas ele sempre esteve em tudo... Nos meus gostos, nos meus sonhos, nos meus passos... E com ele, tenho momentos memoráveis que não troco por nada... Por nem um minuto a mais em nossa história...

História que continua, agora que ele é avô...


Falando em avô, preciso falar de outro pai... O pai de meu filho.

Nenhum outro homem seria mais pai de nosso filho do que ele é...

Ele transcendeu essa definição literal...

Concebeu comigo...

Amou, protegeu, lutou por nosso filho...

Lembro-me bem do bebê nervoso e assustado acalmando e cessando o choro no colo daquele ‘recém-pai’, que cantava como se soubesse a vida toda que aquele momento chegaria e como deveria agir.

Para nosso filho, ele é forte, 'fortão'... 'Chuta a bola bem alto'... Tão alto e distante quanto os caminhos que percorremos até tê-lo nos nossos braços.

Só ele poderia ter desejado e chegado lá comigo... Mais ninguém.


E sobre desejo... Também preciso falar de meu irmão, de quem os olhos já brilham como os de um pai... Porque um pai nasce do desejo de sê-lo... E eu já sou capaz de vê-lo bobo, nervoso, cheio de teorias e preocupações na tentativa de ser o melhor pai que puder ser...
E eu sei, de coração, que ele será...


Dedico este ‘post’ a esses pais - meu, do meu filho e do meu futuro sobrinho (ou sobrinha) - tão diferentes e tão iguais por querem acertar...

E nesse caso, que não há 'certo' ou 'errado', 'fórmulas mágicas' e 'garantias de sucesso', querer acertar é o maior que o acerto em si!!!

Feliz Dia dos Pais!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Com emoção ou Sem emoção?


Hoje recebi uma ligação de uma amiga...

Voz desolada...

Desmarcando e desfazendo os preparativos de seu casamento...

Sabe essas tragédias pessoais que de tanto acontecerem viram lugar comum?

Eu me lembro sempre de uma música da Jewel (You were meant for me) que dizia : “Same old story, not much to say... Hearts are broken everyday”.

Traduzindo: “A mesma velha história, não há muito a dizer... Corações são quebrados todos os dias”

É... Todo mundo já passou por isso... É recorrente...

Pensei em escrever um pouco sobre a mentira...

É um assunto fascinante... Mas é muito complexo ... Tem muitas ramificações... E eu não sei ao certo como me posicionar em relação a ela...

Não sei dizer se ela é sempre ruim...

Existe aquela expressão "Só a verdade liberta"...

Ok... Pode ser... Ela liberta da mentira... E o que fazemos com todo o resto? E se a mentira é a melhor coisa que temos?

A troco de que vou declarar uma verdade cruel se não existe a verdade absoluta?

Por exemplo... Chegar para alguém e dizer que ela não tem talento para o canto... Isso é verdade ou a minha opinião? O fato de eu realmente acreditar no que estou dizendo faz da minha declaração uma verdade? A verdade é circunstancial?

Não sei. Não sei. Não sei.

Por exemplo... Uma vez escutei ou li em algum lugar que mentimos quando esgotamos nosso estoque de verdades...

Nossa... Faz sentido! Conheço várias pessoas que desistiram de tentar falar como se sentiam e optaram por mentir...

Quem pode culpá-las? Eu não posso.

Tenho uma amiga que consternada se perguntava: ‘por que ele disse que me adorava, que eu era especial?’. Ela alegava que ele não precisava de um artifício tão baixo para levá-la para cama: ‘Era só ter me dito que ele me achava incrivelmente gostosa e que sonhava com o dia em que ele passaria horas sentindo o gosto de cada milímetro do meu corpo... Pronto, eu dava!’.

Será?

A declaração direta do exemplo acima é realmente ótima... Muito bem elaborada, mas seria o suficiente?

‘Corpo’, ‘horas’, ‘gosto’... Nós mulheres gostamos também... Mais (muito mais) do que nos atribuem o gosto pelo sexo... Existe para nós a atração física, o desejo de ‘dar’ porque o corpo convida e mais nada... Mas será que nos permitimos?

Não sei. Tenho dúvidas!

Mas se escutarmos que somos especiais... Pesamos que podemos ter encontrado alguém que nos aprecie de corpo e alma... E assim sendo, alguém especial... E que poderíamos ter algo especial, para transformar uma vida ordinária em uma vida especial... E de repente estamos considerando a possibilidade de aquela pessoa, com aquela mentira deslavada, ser de fato ‘o enviado’... O homem de nossas vidas... E, finalmente, nesse caso, tudo bem ‘dar’ para ele.

Que coisa burra!!! Seria tão mais fácil se aprendêssemos a lidar com nossos desejos de forma isolada de nossos sentimentos...

Não precisamos forçar nossa própria barra e inventar sentimentos em torno de alguém que apreciamos pelo sexo (e só!)...

É como se escolhêssemos estar na posição de vítima só para não arcar com as conseqüências de nossos atos:
“Poxa, pensei que ele me amava... Fui usada...”.

Nãaaaaaaaaaaao!!! Mil vezes não!!!!!!!!!!!!!!!

Como assim, foi usada?

Deu porque quis! E foi legal... E se for só isso, beleza porque pode perfeitamente ter sido só isso para você também!!!

Eu sei que tudo isso têm um peso histórico... Sei lá, talvez até biológico... Mas não somos animais, temos inteligência, raciocínio lógico (na maioria das vezes) e não precisamos nos posicionar sempre como uma das fêmeas do macho... O que nos move não é o cio, mas o desejo... Nosso sexo não é meramente reprodutor é fonte de prazer...

Seria uma solução, talvez, combinar antes... O cara poderia perguntar... ‘Você quer com emoção ou sem emoção?’, como naqueles passeios de jipe pelas Dunas de Genipabu ou poderíamos colocar na cabeça de uma vez que nem toda emoção é amor!

Amo o amor, amo o romance, amo a possibilidade de encontrar alguém nesse mundo para “chamar de meu”... A possibilidade... E não a obrigatoriedade...

Eu sou uma boba, romântica, sempre sonhei com grandes amores, grandes histórias... Choro com filmes 'água com açúcar'... Vi mais de 10 vezes o filme ‘Uma linda Mulher’...

Não tenho vergonha de acreditar no amor, mas em hipótese alguma me permito ser vitimizada em seu nome.



Abaixo... Uma música linda... Sobre o amor... Ou sobre sexo... Ou sobre a mentira:

* A canção é de 1960, autoria de Gerry Goffin e Carole King, mas foi regravada por muitos outros intérpretes. Gosto dessa versão da Amy Winehouse! É o máximo!
Estou incluindo a letra e a tradução:

Will you still love me tomorrow?
Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
But will you still love me tomorrow?
Is this a lasting treasure
Or just a moment of pleasure
Can I believe the magic of your sight
Will you still love me tomorrow?
Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?
I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now and I won't ask again
Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...


***

Você ainda me amará amanhã?
Hoje à noite você é completamente meu
Você me deu seu amor tão suavemente
Hoje à noite a luz do amor está em seus olhos
Mas você irá me amar amanhã?
Isto é um tesouro duradouro
Ou somente um momento de prazer
Posso acreditar na mágica de seu olhar
Você ainda me amará amanhã?
Hoje à noite com palavras não ditas
Você disse que eu sou a única
Mas será que meu coração se quebrará
Quando a noite encontrar o sol da manhã?
Eu gostaria de saber se seu amor é amor mesmo
Que eu possa ter certeza
Então me diga agora que não perguntarei novamente
Você ainda me amará amanhã?
Você ainda me amará amanhã?
Você ainda me amará amanhã?


*Mentira – Definição do Wikipedia
Uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela. Portanto uma declaração verdadeira pode ser uma mentira se o falante acredita que ela seja falsa; e histórias de ficção, embora falsas, não são mentiras. Dependendo das definições, uma mentira pode ser uma declaração falsa genuína ou uma verdade seletiva, uma mentira por omissão, ou mesmo a verdade se a intenção é enganar ou causar uma ação que não é do interesse do ouvinte. “Mentir” é contar uma mentira. Uma pessoa que conta uma mentira, em especial uma pessoa que conta mentiras com freqüência, é um “mentiroso”.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Devorando Frutas Vermelhas


Pensei em escrever sobre o assunto de hoje quando senti o quanto este espaço aqui se tornou importante para mim.

Este blog tem mais a minha cara do que meu rosto refletido no espelho... Porque aqui me permito ser o que sou, o que não posso ser e até o que simplesmente não sou.

“Aqui é o meu país” – como dizia uma canção de Ivan Lins.

Sexta-feira passada, tentei acessar o blog e escutei aquele barulho insuportável que o 'PC' emite quando as coisas não vão bem:

“Pãããããã”Não é possível acessar... blá, blá, blá...

Foi uma sensação muito ruim... Uma mistura de indignação, medo e tristeza. Indignação porque pensei: - “Como assim??? – A casa é minha e não me deixam entrar!!!!”

Felizmente foi apenas um bug temporário, mas tive medo... Vi este espaço ameaçado, inacessível... E como eu viveria sem acesso a minha própria história... Minha alma...

Minha alma? - Na verdade a alma de todas nós.

Há textos que contam minha história, histórias que me contam, desejos, conflitos, alegrias, dores e em todos eles há muito das pessoas que também são este blog...

Preciso dividir qualquer tipo de mérito com as pessoas que me inspiram todos os dias.
Pessoas que me contam suas histórias, seus sentimentos e compartilham comigo os meus...

As mulheres da foto não ilustram apenas o post de hoje... Elas estão comigo na criação do blog e na força para alimentá-lo...

Elas me abraçam todos os dias com ‘feedbacks’... É... ‘Feedback’... Parece uma palavrinha técnica... Vinda de teorias corporativas comportamentais... Mas pessoas não vivem sem ele... Relacionamentos não se constroem... Não duram... É uma forma de 'validar' nossa existência, nossas ações, nossos sentimentos...

Eu sou uma pessoa ansiosa, eufórica e intensa... Eu reajo a todas as coisas... Difícil viver sem isso... Então, são justamente pessoas com esse perfil que me dão afeto através deste ‘cyber-mundo-real', de coisas novas e possíveis... Assustadoras... Questionáveis... Que essa minha natureza “go for it” me lançou...

É claro que estou na blogosfera!!!!! É claro que eu estou aqui!!!!!! Não sei dar as costas para o novo... Aliás... O novo grita meu nome... Me pega pelo braço!!!

E elas vêm comigo...

Inspiram-me para que eu escreva o que as inspiram e assim esse círculo nunca termina.
Sim! Círculo, roda, ciranda ... Estamos nós de mãos dadas... Girando com o planeta!

E essa roda cabe mais gente... Gente que queira girar com a gente e gente que queira apenas olhar também!!!!

Finalizo pensando que esse blog pode ser um país, um quarto, uma folha de papel... O que você quiser!

Para nós, é um 'frankstein' bem simpático... Pernas, braços, cabeça... Partes de pessoas diferentes que falam através da minha voz!!!!!

Obrigada meninas, pelo incrível privilégio de
devorar Frutas Vermelhas com vocês!


Abaixo... Parte de um projeto ainda maior para o Frutas Vermelhas...

O que te acontece aí me toca aqui tão rapidamente...
Resgate de mim mesma...
Biografia não autorizada.

Essa vida é realmente tua ou me espias
E te divertes com meus tropeços,
Meu riso fácil
E até com o sal dos meus olhos?

Importa agora que estamos coladas...
Conectadas para sempre...
Presas uma a outra nessa teia.

Amei os homens que tu amaste...
Chorei tuas lágrimas...
Odiei todas as coisas que tu odiaste...

Não sei dizer quem o fez primeiro...
Tu ou eu.
Não sei dizer quem conta e quem escuta...
Tu ou eu.
Não sei dizer quem inspira e quem respira...
Nem onde começa e acaba...
Tu e eu.

A agonia e a delícia de ser única
Abrem espaço para ser inteira:
Eu contigo -
Minha desconhecida companheira.