segunda-feira, 6 de abril de 2009

Toque de Recolher


Às vezes não acredito que você exista em algum outro lugar que não na minha lembrança...

De certo lembro coisas que não foram exatamente como as vejo e sinto agora.

Assusta-me o passar do tempo e a minha passividade diante do que não posso mudar...

É estranho...

Eu, natureza bélica, hoje escolho minhas guerras...

Abandono o campo de batalha tingido pelo meu sangue e por aquilo que eu acreditava.

Hasteio bandeira branca, enterro mortos, sedo os feridos, mas não lhes dou esperança, porque eu sei... Vai doer pra sempre.

Os alto falantes estridentes perfuram meus ouvidos com o toque de recolher...

Antes surda...

Antes cega que a visão perturbadora da minha bandeira descida a meio pau...

Antes muda que o gemido e o soluço anunciando a minha rendição...

Há guerras feitas pra ganhar...
Há guerras feitas para perder...
Todas elas feitas para lutar.

E a morte... É só a inércia diante das causas e coisas que abandonamos...

Voltando a você...
Desenterro-te repetidamente para ver se você está mesmo morto e sempre tenho a impressão de te ver respirar...

Soldado raso...
Cova rasa...
Fim...

Queria que você não existisse além de mim.

4 comentários:

Izabel disse...

Nossa... vc nao vai acreditar.
Eu entrei no blog pra ler coisas antigas, pra me sentir melhor e acho isso.. Gostei tanto.
Bjus amiga e vamos né... não temos opção se não seguir em frente... mm que arrastada.
Bjus,

Cecilia disse...

Por isso que nunca desenterro ninguém. Vai que me ressuscita!

Suelen disse...

Showwwwwwww... perfeito...
A proposito, convite da Fê tb perfeito... vc é feraaaa...
Um Beijão !!!

Pataca disse...

Eu gosto que as pessoas existam dentro de mim... é um lado masoquista, admito, mas aprendo com isso...
Beijos!