segunda-feira, 23 de março de 2009

Carta Devolvida ao Remetente


Se tu não sabes, eu te amei.
Um amor doído e cheio de impossibilidades,
Um amor maculado e de meias verdades,
Um amor cheio de sonhos
camuflado no desejo e na vontade...

Um amor menor que o meu querer...

Porque, Deus, como eu te quis!

Quis-te tanto que atropelei o que eu sentia...

Tu precisavas ser real para mim...
Eu precisava ter na pele vestígios de ti...
Porque um sonho era pouco...
Um sonho era nada.

Escondi minh’alma em meu corpo e te dei.

Contemplo as cicatrizes, sagradas consagrações...
Registros de que tu vieste,
Como anunciaram os ventos, tu vieste...
E me marcaste para sempre.

E é assim que quero ficar...
Marcada pela queda ao atirar-me em teus braços
Liberta pelo vôo de acreditar que vieste para ficar...

Sussurraram teu nome em meu ouvido
E nos encontramos para que eu pudesse gritá-lo tantas vezes
eu me contorcesse de dor e prazer,
nas infinitas horas que foste real.

Machuca o teu silêncio,
Machuca esse tormento,
Mata essa saudade do que não foi...
Enquanto justifica a vida
a possibilidade de amar,
desmedidamente amar.

Mostraram-me teu rosto
Lançaram-me teu perfume:
Tu virias,
Tu vieste,
Tu foste.

Anunciaram-me tua chegada...
Sonegaram-me a notícia da tua breve estada...
Negaram-me a informação da tua partida!

Foste...

Fingi que não era nada...
Fingi que a dor não me vitimava
Fingi que seguiria inteira sem ti aqui.

Foste...

E meu corpo espera gelado,
que tragas minh’alma de volta.

Se tu não sabes...

Não sabes.

Não saberá.


“Eu faria qualquer coisa, para te manter aqui essa noite... ( )
... Eu seria qualquer coisa, para te manter aqui essa noite.
Porque eu queria que você ficasse”
In the Arms of Sleep (Smashing Pumpikns)

***


Segue a música completa e tradução, vale a pena:



In The Arms Of Sleep
Nos Braços do Sono


sleep will not come to this tired body now
O sono não virá para este corpo cansado agora

peace will not come to this lonely heart
A Paz não virá para este coração solitário

There are some things i'll live without
Existem algumas coisas que vivo sem

but i want you to know that i need you right now
Mas quero que saibas, que preciso de ti agora mesmo

i need you tonite
Preciso de você esta noite

i steal a kiss from her sleeping shadow moves
Roubo um beijo do sonâmbulo movimento de sua sombra

cause i'll always miss her wherever she goes
Porque vou sempre sentir sua falta aonde quer que ela for

and i'll always need her more than she could ever need me
E vou sempre precisar dela mais do que ela precisa de mim

i need someone to ease my mind
Preciso de alguém para aliviar meus pensamentos

but sometimes a someone is so hard to find
Mas às vezes um alguém é tão difícil de encontrar

and i'll do anything to keep her here tonite
E eu farei de tudo pra mantê-la aqui esta noite

and i'll say anything to make her feel alright
E eu farei de tudo para fazê-la sentir-se bem

and i'll be anything to keep her here tonite
E eu serei qualquer coisa pra mantê-la aqui esta noite

cause i want you to stay, with me
Porque quero que fiques, comigo

i need you tonite
Preciso de você esta noite

she comes to me like an angel out of time
Ela chega pra mim como um anjo fora de hora

as i play the part of a saint on my knees
E eu faço o papel do santo ajoelhado

there are some things i'll live without
Existem certas coisas que vivo sem

but i want you to know that i need you right now
Mas quero que saibas, que preciso de ti agora mesmo

suffer my desire
Sofra do meu desejo

suffer my desire
Sofra do meu desejo

suffer my desire for you
Sofra do meu desejo por você


Vou Chorar, Desculpe Mas Eu Vou Chorar...


No último sábado, a escola que meu filho estuda realizou um evento em homenagem ao dia das mulheres.

O convite veio uns vinte dias antes, o grupo Poetas Vivos de Santos faria uma apresentação.

Conheço o grupo, já havia assistido alguns fragmentos e sempre achei a proposta sensacional: Tirar a poesia das prateleiras e dos livros e levar ‘aonde o povo está’.

Presença confirmada, sábado eu estava lá.

O espetáculo foi tocante, belo, verdadeiro...

Já nas primeiras palavras, a emoção me engoliu...

Por que tão rápido?

Acho que a mera presença de artistas me emociona, o palco me emociona, a voz em verso me emociona...

Menos de cinco minutos depois, meus olhos vazaram lágrimas que molharam meu rosto e aliviaram a minha alma...

O choro era silencioso e longo e quando cessava, era breve...

Mais algumas palavras e canções, lá estavam elas... Um misto de beleza e descontrole, me lembrando o que sou... Expondo-me em um momento em que eu não pretendia...

Como funciona tudo isso?

É possível tantas dores dentro de uma pessoa feliz?

É possível uma pessoa ser feliz com tantas dores?

Chorei a minha dor e a do outro... As lágrimas não poderiam ser todas minhas, eram tantas...

No passado, eu era mesmo chorona, de soluçar em filmes e peças teatrais...

De anos para cá, encontrei uma forma de contê-las - um respirar fundo com um rápido dispersar – Tanta emoção não me servia...

Boas mães não choram - Amam e educam.
Boas esposas não choram - Toleram e se calam.
Boas profissionais não choram - São resilientes, pró-ativas, focadas.

Contudo, minhas lágrimas fáceis não me trariam qualquer benefício.

Mas naquela tarde, não havia parada...
Em certo momento, envergonhei-me (louca varrida, o que devem estar pensando!)
Era meu pranto e eu não tinha nenhum poder sobre ele...

Engole, mulher... Seja homem!

Em vão...

Eu chorei.


Não sei o que faço com isso...

Deixo como é, como está e/ou como sou... Ou exercito para que seja como deve ser?

Se até os rios imensos são represados, porque não consigo conter algumas gotas d’água?


* O espetáculo do Poetas Vivos de Santos era “O Universo Feminino” - Vale a pena ver!!!
Porque quem chora precisa de acalanto...
E foi isso que senti o tempo todo...
Um abraço terno, um afago doce, dado não com as mãos...
Mas com poesia e canção.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Se ela dança, Eu danço...


Eu danço...
Já dancei mais.
Também já fui mais alegre, descompromissada, com menos história, menos peso...
Era mais fácil dançar.

Na minha meninice, sempre me vi artista: No palco, assistida e ovacionada...

Gosto de reconhecimento, mas temo a desaprovação mais do que gosto do som dos aplausos!

Dessa forma, me via artista nos meus sonhos e passava longe dos palcos...

Bom, não tão longe... Minha irmã é artista...
Nasceu estrela MESMO!

Acompanhei de perto todas as suas danças e andanças:
Desde a época que era pequena e a apresentação era apenas graciosa... Até as interpretações maravilhosas e marcantes de homens de Bretch, mulheres de Caio Fernando Abreu, seres de Miguel Azama... Enfim... Sempre estive de frente para o ‘tablado’, me emocionando e aplaudindo essa enorme criatura, mistura de gente e entidade que é minha irmã.

Lembro-me que após toda apresentação de ballet, eu decidia que no próximo ano eu também estaria lá.

Promessas de ano novo!

A verdade é que tentei algumas vezes e o desajuste era total!

Via-me como um ‘corpo estranho’ (literalmente) em meio tanta leveza...

Eu nunca me dei tempo para aprender, para me transformar...
Eu queria ser, como se fala em inglês, uma ‘Natural Born...’, algo como ‘talento nato’... Eu queria ter o ‘dom’ de alguma coisa... Tipo ‘Pelé’, que nasce já com ‘aquilo’ que ninguém fez, faz ou vai fazer melhor que ele...

Sempre me irritou ser ‘esforçadinha’... Eu queria ser boa... Muito boa... A melhor.

Com isso, uma série de frustrações se acumulou... Porque se não era pra ‘chegar chegando’, eu nem ia!!!!!!

Fazia uma, duas aulas... E se Ana Botafogo não baixasse em mim, eu nem voltava!

Hoje, com quase trinta e três anos, me lembro apenas das críticas das duas únicas apresentações que participei do ballet!!

A pior delas, foi quando eu tinha cinco ou seis anos e a professora, uma ignorante que trabalhava no SESC ou SESI (sei lá), acabou comigo porque o ‘Crisântemo Amarelo’(EU) entrou pulando no palco para dançar a ‘Valsa das Flores’...
Poxa...
Eu só queria que o meu ti-ti (saia de bailarina) balançasse...
Por isso, adicionei uns pulinhos à coreografia...
Enfim, fui alvo de gozação e desaprovação...

Resultado: Lá se foi minha carreira artística.

Bom! Independente da carreira... Eu danço!

Rock, Pop, Samba e dependendo do nível de ‘sangue no meu álcool’ até funk e axé!

Se danço bem ou mal, não importa... Eu pulo, eu rodo, mexo os braços, os quadris e as pernas, canto enquanto danço... Fecho os olhos...

Espero que não seja algo muito grotesco de se ver...

Se for, sinto muito... Vou continuar dançando... Até sair de mim todos os resquícios de stress, tristeza e realidade... Danço até virar sonho!

Quarta feira, me dei uma chance... Comecei a ter aulas de Dança Flamenca.

Para minha adorável surpresa, não me senti um ogro...
A idade serve para isso (pelo menos, né?), para que a gente aprenda a se permitir... Ou para que a gente perca mesmo o senso de ridículo... rsrsrsrs... O importante é que eu me empolguei... Marquei aulas de Dança Cigana para sábado e de Dança do Ventre para segunda...

Vai ver que 2009 é o ano que eu vou subir no palco, com toda aquela parafernália de figurino que eu tanto amo, e vou dançar e dançar e dançar...

Com sorte ganho até alguns aplausos!
Com mais sorte ainda eu aprendo dançar como uma Sevilhana, como uma devota de Santa Sara ou uma Odalisca...
E, se 2009 for o MEU ANO, as três, oras!
* * *


PS.: Pergunte-me, daqui a um mês, até onde foi a minha determinação ;-)


Ah! E amanhã à noite, estarei no Marlin, dançando... Em comemoração ao Aniversário de uma pessoa ESSENCIAL na minha vida... Minha amiga Izabel!!!

Parabéns pra você,
nessa data querida,
muitas felicidades...
Muito anos de vida!!!!!!!!!!!!!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!



E para finalizar o post...
Olha que lindo, de Santo Agostinho:


"Eu Louvo a Dança,
pois ela liberta as pessoas das coisas,
unindo os dispersos em comunidade.
Eu louvo a Dança
que requer muito empenho,
que fortalece a saúde,
o espírito iluminado
e transmite uma alma alada.
Dança é mudança do espaço, do tempo,
do perigo contínuo de dissolver-se e tornar-se somente cérebro,
vontade ou sentimentos.
A Dança requer o homem libertado,
ondulado no equilíbrio das coisas.
Por isso eu louvo a Dança.
A Dança exige o homem todo ancorado em seu centro
para que não se torne, pelos desejos desregrados,
possesso de pessoas e coisas,
e arranca-o da demoniade viver trancado em si mesmo.
Oh Homem, aprende a Dançar!
Caso contrário, os anjos não saberão o que fazer contigo!"

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sobre Missão, Cinema Nacional e Cães - (Não... Eu não uso drogas!)




Some say: Tudo tem um motivo, uma razão para ‘ser’ ou ‘acontecer’...

Esse pensamento, muitas vezes, me parece um ‘acalanto’... Um recurso para livrar-nos do acaso e calar nossa histeria diante do caos, onde tudo pode acontecer sem nenhuma razão... Sem nenhum propósito.

Das hipóteses levantadas entre as diversas religiões, crenças e filosofias, acho que considerar a ‘existência de uma missão’ é algo bem razoável.

Ok.

Viemos ao mundo com uma missão... Trouxemos um TO DO LIST gravado em nossa alma...

E se isso é mesmo assim, precisamos então nos conhecer... Vasculhar lá dentro para encontrar essa lista, porque se descobrimos o que somos e a missão que nos acompanha - LINDO! - Tudo fará mais sentido...

Seguindo essa linha de raciocínio, pelo que tudo indica, conheço minha missão (Uma enorme vantagem!!!) e sinto que tudo se encaminha da melhor maneira.

A minha missão não só faz sentido pra mim, como dá sentido na minha vida...
A minha missão me é familiar desde bem pequena... Como se de alguma forma, eu já soubesse...
A minha missão não é algo simples, é trabalhoso e de longo prazo, preenche meu tempo e meu coração...
A minha missão sempre esteve nas entrelinhas, na brincadeira de criança, no rumo dos meus relacionamentos, nas pessoas que passaram por minha vida, nas que ficaram...

Sigo assim... Lutando para fazer o melhor, apesar das limitações... Minhas e de cada um...

Sobre isso... Só sinto PAZ.

OK.

Mas parte de mim é GUERRA:

Tirando o que é certo e claro, não sei mais nada...
O que há, além disso - a missão - é que é confuso...
Sobre a existência de ‘mini-missões’, ‘missões-periféricas’, ‘missões-satélites’ pouco sei...

Sei que uma vida inteira é muito...
Muitas horas, muitos dias, muitas possibilidades...
Sei também o que tenho que fazer aqui na Terra...
E estou nisso tanto quanto isso está em mim...

O que eu quero mesmo saber é se há outras coisas que eu possa ou deva fazer...

Porque eu quero tanto...
Quero tantas coisas...

Tanto e tantas:
Intensidade e quantidade.

Eu deveria querer?

Querer é parte?
Querer é extra?
Querer é supérfluo?
Querer é permitido?
Querer é desvio de rota ou querer é o caminho?

Sei que para tanto querer... Uma vida é pouco.

(Silêncio)

Sei lá, nada haver... Mas acabo de lembrar do filme 'Lisbela e o Prisioneiro'...

Há uma cena, no final, que Lisbela chora por ter arriscado tudo por um amor que não se realizou;
E diz não se arrepender;
E diz que faria de novo;
E diz que faria tantas vezes fosse preciso;
Diz que toda vez que o amor a chamasse, ela iria como cachorrinho.

Que lindo... E irracional...
Como um cachorrinho.


'Vem cachorrinho!'
Saltitante ele vai.

Faz-lhe um gracejo.
Ele balança o rabo.

Faz-lhe um afago.
Ele se deita e te oferece o ventre para acarinhá-lo.

Bate o pé: 'Sai! Sai daqui!'
Ele não entende.

'Sai daqui! Vaza!'
Ele sai... Olha para traz, levanta a orelha, ensaia alguns pulinhos para cativar, dissuadir e reverter o comando de afastamento.

Nada.
Ele abaixa a orelha, deita o focinho sobre as patas dianteiras e espera...
Até o próximo:
‘Vem cachorrinho!’.



Lindo... E irracional.


(Silêncio)


Grito:

Se aos 85 anos, o amor me chamar, eu vou.
E se eu viver mais seis meses depois disso, durante isso...
Esses 180 dias terão valido toda minha existência...

Constatação:
Meu Deus!
Tenho o discernimento de um poodle!!

Vóz de Déborah Falabella no papel de Lisbela:
'O amor me chamou pra um outro lado e eu fui atrás dele. Eu pensei que se eu não fosse, a minha vida inteira ia ser assim. Vida de tristeza, vida de quem quis de corpo e alma e mesmo assim não fez. Daí eu fui. Eu fui e vou, toda vez que o amor me chamar, vocês entendem? Como um cachorrinho, mas coroada como uma rainha'.

Caetano canta:
“E agora... Que faço eu da vida sem você...”

Fim do Ato.