terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Esforçamo-nos sempre para alcançar o proibido e desejamos o que nos é negado" - Ovídio


Escolhi para título essa frase de Ovídio, mas poderia ser outra de mesma autoria: “Não se deseja aquilo que não conhece”.

Mas vamos ao que interessa... Ou não interessa!

Tenho sonhado muito ultimamente...
Em contraste, tenho dormido muito pouco:
Uma fase insone de noites de apenas uma hora e dias cansados, carregados, estressados.
Esses casos que a gente não sabe quem nasceu primeiro... O ovo ou a galinha... Ou melhor: a insônia ou o stress.

Mas o que mais me chama a atenção é que são sonhos românticos...
Sim e com freqüência... Com rostos que nunca vi, embora eu sinta certa familiaridade... Algo tipo “Eu te conheço de algum lugar” – Mesmo sem ter te visto em lugar algum...

Mas então é isso!

São sonhos românticos para me lembrar o quanto eu preciso disso... Que não adianta abrir concessões, pois é isso, exatamente isso, que me faz sentir que a vida é uma “experiência religiosa”, sabe?

Se não isso, é meu cérebro racional me compensando por minhas escolhas sensatas e me dando em forma de sonhos todo esse encantamento...
Essa vida de pé nas nuvens e borboletas no estômago.

Não que me falte amor acordada. Eu tenho e de muitas formas: De mãe, de pai, de irmãos, de marido, de filho (esse então... é maior que todos os outros juntos!!!!!)... Mas ah... Falta aquela coisa tola de toques descuidados que param o tempo e nos desnorteiam...

As palavras devotadas que preenchem o coração, os lábios com um sorriso e... A vaidade.
Aciona os sentidos e os tornam atentos para que nenhuma imagem se perca, nenhum perfume desapareça, nenhuma palavra seja dita sem que seja gravado também o timbre da voz em que ela foi dita, as mensagens subliminares... Toda a intenção e o real significado dessas palavras!

O romance é algo mesmo piegas, de gosto duvidoso e não requer muita destreza ou bom gosto... (tem coisa que eu gosto que é brega, fazer o quê!)

Ainda assim é uma manifestação inteligente, se considerarmos o benefício nisso tudo...

Li uma vez, em uma entrevista na Marie Claire, há quase dez anos atrás, a citação de Ovídio... E aí o cara exemplificou assim: Ele dizia que ao dizer para um(a) amante que ele(a) era o melhor que já havia tido, você, de certa forma, teria feito desse(a) amante o melhor que já teve, porque o poder dessas palavras na pessoa que a recebe faz com que ela se sinta e aja como o(a) melhor amante que teve!!!

Faz tanto sentido!!!

Desculpe-me os auto-suficientes que não precisam de validação alguma, mas eu, ser-humaninho de carne e osso, mais do que preciso, aprecio ser apreciada!

Diz-me que sou linda e eu me faço linda para você...
Diz-me que sou gostosa e... Ah! Deixa pra lá... Já deu para entender, certo?

Enfim... Do meu sonho bobo de sessão da tarde lembro muito pouco...

Mas entre rostos desfocados em lugares conhecidos eu estava saindo do banheiro, enrolada na toalha (as toalhas dos sonhos sempre são brancas e felpudas) e esse homem me pergunta que cheiro tinha minha pela limpa, sem cremes ou perfumes.

Eu sinalizei elevando o meu ombro que não sabia, virei de costas e desci a toalha até a altura da cintura, segurando apenas as pontas da toalha contra o peito, convidando-o a descobrir sozinho.

Ele, esse homem, não fez nada além do que sugeri...
Aproximou seu rosto da linha da minha coluna e eu pude sentir sua respiração subindo até meu pescoço, quando virei para encará-lo.

Ele sorriu.

Eu perguntei: “E então?”

Ele respondeu me olhando rápido e profundo nos olhos e já partindo...

“Daniela”

E eu disse: “Daniela, o que?”

“Seu cheiro... Daniela”. – disse sem parar seus passos.


AFEEEEE...

Isso pode ser 'nada' para vocês, mas não paro de pensar naquele quentinho da respiração dele subindo pelas minhas costas até meu pescoço e depois imaginá-lo beijando-me e cheirando-me e dizendo meu nome...

Daniela
Daniela
Daniela
AIMEUDEUSDOCÉU... Maldito despertador!

* * *


Sobre Ovídio = Publius Ovidius Naso (Sulmo, 20 de março de 43 a.C. — Tomis, 17), conhecido como Ovídio nos países de língua portuguesa, foi um poeta romano que escreveu sobre amor, sedução, exílio, e transformação mitológica. Estudou retórica com grandes mestres de Roma e viajou para Atenas e Ásia exercendo funções públicas com o objetivo de tornar-se um Cícero, mas, para desgosto do pai, resolveu dedicar sua vida à poesia.

De Ovídio =

“A vida foi-nos dada para gozá-la”

“E amanhã não seremos o que fomos, nem o que somos”

“O pudor só é utili se é fingido; o verdadeiro é quase sempre prejudicial”

"Odiarei, se puder, caso contrário amarei, contra
a minha vontade


Ah... Mais um pouco de Ovídio ... Um trecho do Livro Metamorfoses:

"Se eu pudesse, seria mais sensata; mas uma força nova arrasta-me contra a minha vontade, e o desejo atrai-me a uma direção, e a razão, a outra: vejo e aprovo o melhor, mas sigo o pior"


***



sábado, 7 de novembro de 2009

Mulher de Poucas Palavras


No final das contas, as melhores escolhas são exatamente aquelas que fazemos.

Nada melhor do que ser dona dos próprios erros... E nada mais fascinante do que descobrí-los certos.

Amo minha vida... E o que fiz dela.

In the end... The love you take is equal to the love you make
(Beatles- Of course).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Poder da Imagem

Fotos...
Fotos é nome de música sertaneja...

É também uma palavra de origem grega que significa "desenhar com luz"... Tão bonito isso, né?

Retirei do site de uma amiga (
www.umporcento.com.br) o trecho abaixo:

“Mais do que esse significado, representa a necessidade de prolongar um contato, um acontecimento, é a necessidade de documentar um momento.
A Fotografia captura um instante, põe em evidência, registra, guarda momentos valiosos de nossas vidas.
É um presente, afinal de contas, se premia a memória, recordando!!”


Seguindo a seqüência das citações... Lembro de um trecho da música da Madonna (Like a Prayer) que diz: You want what you see (Você quer aquilo que você vê)...

Pronto.

Minha alma perturbada se descontrola diante da imagem... Teu rosto, maldito rosto... Teu gosto... Essa lembrança estranha de felicidade me faz salivar... Que fome de felicidade!

Drogadição... Um toxicômaco diante de um castelo de pó...

Abstêmia eu conheço a dor...

Dá-me mais...
Mais uma vez, por favor, mais uma vez...
Eu prometo que será a última... E depois, nunca mais!
Dá-me!
Corre em minhas veias pela última vez, por piedade... E mata-me.
Convulsiona meu corpo e mata-me de overdose de ti.

Abstêmia eu conheço a dor e não a suporto mais...

Dá-me mais.

“É um presente, afinal de contas, se premia a memória, recordando!!”

Presente...
Não quero esquecer
Presente...
Não consigo esquecer
Presente...
Não posso lembrar
Presente...
Não quero viver... Sem ti, aqui... Presente.

Dizem por aí: "Uma imagem vale mais do que mil palavras"...

Mil palavras não diriam
O quanto sua foto cala
E consente o cessar da minha paz:
Esse ponto final cravado em mim.

Dá-me mais depois do fim.

"I want some more"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Twitter


Então...

Hoje me inscrevi no Twitter... Ultimamente não tenho mais que 140 caracteres a dizer.

Sinto saudade desse blog... Da eloqüência... Das convicções e principalmente das dúvidas: Origem desse monte de blá-blá-blá tão necessário para mim...

Alterno-me então entre uma rápida e quente golfada e dissertações quilométricas e sem pontuação ou de excessivas reticências... Como quem pensa demais e prende a respiração para dizer tudo ou quase tudo de uma vez... De quem afirma e no mesmo instante se põem à prova... Tudo isso, nada isso... E só... Só isso.

Às vezes falo qualquer coisa e qualquer coisa é mais do que eu devia ter dito e menos do que eu queria dizer...

“Sempre tive tanto para falar meu ex-amor e você ainda escolhe não escutar... Seria a sua constante certeza de que eu só posso estar errada ou a segurança que deposita nessa minha inércia de, quem sabe, mais 30 anos?.”

Às vezes digo coisas sem sentido... Nunca sem sentir.

Se quiser ouvir:
www.twitter.com/4Ever_Red

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Incompatibilidade

Homem não gosta de mulher

Radical mesmo! Que horror…
Pareço uma mal amada entregue a própria sorte...

Mal amada pode até ser, mas não entregue a própria sorte...

Eu faço a minha sorte... Às vezes faço errado, mas sou eu que faço...

Tirando as fatalidades o resto está por minha conta, é minha responsabilidade.

Enfim...

Homem não gosta de mulher...

Homem gosta de homem...
É só perceber a alegria que eles sentem quando estão juntos!
Eles se abraçam, se declaram uns aos outros...
Depois de algumas cervejas alguns até se beijam, trocam carinhos, elogios...
É só perceber a disposição que têm para escutar o outro homem, o respeito que tem pelo trabalho do outro, pelos problemas do outro...
É só perceber quando o compromisso é com homem... Ele é inadiável... Seja uma reunião, um socorro a um amigo, um happy hour, um futebol...
Não há resfriado, chuva, cansaço... Apenas o prazer inenarrável de estar com os seus.

Homem não gosta de caprichos de mulher
Homem não gosta de papo de mulher
Homem não tem paciência com manha de mulher
Homem não atura insegurança de mulher
Homem não admite a importância da mulher
Homem não reconhece as realizações de uma mulher
Homem não quer entender a mulher
Homem não gosta de agradar mulher
Homem não gosta de mimar mulher
Homem não gosta de nada que seja profundamente, essencialmente, simplesmente o que é a mulher!

Como assim, você se pergunta?
Por que então homens procuram mulheres (bom, nem todos)?

E eu respondo:

Homem gosta de comer a mulher
Homem gosta da representação da mulher
Homem gosta do status que a mulher lhe dá... Carregando seus filhos para reforçar seu papel de homem...
Homem gosta de ter uma mulher entregue a ele... Que ela seja dele sem que ele seja dela... Para descartar ou pendurar no armário, depois do empenho para “tê-la”.

Tanto isso é verdade que o esforço que se reconhece neles é apenas o inicial... É a conquista... É a quebra de uma por uma das barreiras de proteção da mulher... São as promessas mais doces, os carinhos mais delicados... O desejo mais intenso e depois, mais nada...

Partindo ou ficando não há mais nada.

Os que vão, nos deixam com a pergunta: Por que partiram?
Os que ficam, nos deixam com outra pergunta ainda mais difícil de responder: Por que ficaram?


* E se algum homem se ofender com isso, não peço desculpas... Peço que me tome e me prove ao contrário.